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Luís Vendeirinho

DUO MUNDI: nota crítica de Sérgio Luís de Carvalho (Jornal de Sintra 31.Ago.2018)

SINTRA EM NOVO ROMANCE DE LUÍS VENDEIRINHO

Com a determinação de quem constrói uma carreira literária longe da multidão, Luís Vendeirinho (LV) lançou recentemente o seu quarto romance: Duo Mundi, com a chancela da Roma Editora. De facto, a primeira pedra deste percurso literário foi lançado por LV em 2005, com o título Requiem (Edição de Autor) a que se seguiu Cátedra de Mármore (Roma Editora, 2009) e Uma Farpa na Clareira (Sítio do Livro, 2010).

Talvez para a maioria do público português o nome de Luís Vendeirinho não seja assaz reconhecido, fruto quer do espaçamento temporal da sua produção (quatro romances em 13 anos) quer da débil promoção e projeção da sua obra. Promoção e projeção que, todavia, a qualidade da sua escrita mereceria. Os tempos, é sabido, vão mais para o espetáculo e para a superficialidade que para a seriedade criativa.

Decerto que a escrita de LV tem o seu ritmo próprio, em que reflexão, ação e meditação se entrecruzam na trama narrativa; sem dúvida que as particularidades dos seus enredos obrigam a uma atenção que para os mais apressados soará cansativa (injustamente, dizemos nós); por ventura que a sua escrita, elegante e apartada de modismos passageiros (como todos os modismos), obriga a uma respiração particular por parte do leitor. Mas no final, ultrapassados esses aparentes “escolhos”, ficará no leitor a satisfação que só a boa escrita dá. E isso é exatamente o que se deve pedir à Literatura.

Duo Mundi é um romance em que, de acordo com as palavras do autor, nos é franqueada a porta para um universo onde o universo da escrita é da responsabilidade simultânea de dois personagens. A ação decorre em vários tempos e em vários lugares, entre 1942 e 1977 e entre Sintra e Lisboa. E aqui convém salientar que a vila de Sintra assume local de destaque na narrativa. Mais do que a história das suas personagens e das circunstâncias que as enquadram, nesta obra é todo um tempo Histórico de um Portugal em rápida evolução que passa pelas 300 páginas de um romance que se lê com o agrado que associamos à boa literatura. Recomendamos, é claro.

A concluir, resta-nos esperar que a obra futura de LV tenha o destaque que até aqui lhe tem faltado e que outrossim o presente romance merecia.

SLC