Loading

Luís Vendeirinho

TEMPESTADES

TEMPESTADES

Benditas as tempestades

A luz que conduz nas trevas

E alumia cadáveres que riem,

Tempestades armadas, despertadas

Pelo desnorte que rompe, irrompe

Do fundo dum estertor

Como choro de fera nascida,

Benditas as vítimas e os sobrevivos

A guerra, a lança, o escudo

Erguido contra as sombras

Na noite que reina de dia

No silêncio que esmaga o grito

Na paz imposta à dor

No jardim coroado de cinzas

Na promessa cravada no flanco,

Benditos a fé e o consolo

Trazidos pelos ventos que vão

Dados à costa na baixa-mar

Nos braços do luar escondido

Florindo em ramos quebrados,

Vinde tempestades que sois bem-vindas

Se convosco vierem guerreiros

A espada e um pouco de pão

O manto e um pouco de unguento,

Benditas as horas de luta

E os abraços dos inimigos

Entre as grades feridas de beijos.

LV