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Luís Vendeirinho

O DESPERTAR DAS TÁGIDES

O DESPERTAR DAS TÁGIDES

No colo das águas mansas, adormecidas,

           Repousa o olhar.

           Com ele cintilam, mais além,

           As margens entretecidas pela bruma

           Em frágeis e azulados nevoeiros,

           Num bailado que os lentos cacilheiros

           Afrontam no roncar pela viva espuma

           E sobre a melodia que das Tágides sobrevém


           Quando na brisa afoita que desperta

           Se abrem as vistas.

           Na claridade de que a noite se faz manhã

           O rio se apressa em fugaz carícia,

           Tanto no esplendor de subtis reflexos

           Como nas sombras desenhadas sob os astros,

           Debruçando-se a cidade em sua excelência

           Dando à luz as novidades das conquistas.


           E se o mar abre os braços entre marés,

           No seu convite que a História abençoou

           Derramado o sal sobre um convés,


           Sabe ter sido a História quem amarrou

           As ousadias e dores de amantes em seus adeus

           Dando ao mundo a muda voz de quem falou.

LV