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Luís Vendeirinho

FERNANDO (versos)

FERNANDO (versos)

FERNANDO…


Não sei,

Nem nunca hei-de saber,

Como não sei a origem do mundo

Nem a razão dos sonhos incompletos,

Nunca saberei das vidas perdidas

Às portas do meu bairro, das vidas,

Não sei, e talvez por não saber

Me doa o meu silêncio, rasgado,

Não sei e, se for pecado

O não saber das vidas, rasgadas

Às portas onde começa o dia,

Saberei apenas deste o começo


Onde teu olhar iluminado

Me deu, ó anjo vindo do acaso,

Mais que a madrugada prometeu?

Foi à porta do teu dia

Sem que saiba de tua merenda

Feita de pão com pão, ou

De pão com mel, feita de um beijo,

Ou da ausência dos carinhos,

Foi à porta que sorriste, e acenaste,

Neste mundo sem origem

Nem razão dos teus próprios sonhos,

“Adeus ó Jorge!”

Sem que eu saiba que ele é,

O culpado pelo teu sonho


Que agora eu bem sei:

Eram teus olhos de menino

A luz que vinha pousar

Desde o sonho do Fernando,

Nesta manhã onde sonhei contigo.

“Adeus ó Jorge!”

E o dia começou, o meu, o teu, do Jorge,

Perdidos nas memórias do Fernando…

LV