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Luís Vendeirinho

BREVE NOTA SOBRE A CEGUEIRA

BREVE NOTA SOBRE A CEGUEIRA

"Acontece a tentação de olharmos a realidade pela rama. Conspirações e poderes absolutos, fenómenos globais e consequências inevitáveis, tentáculos ocultos e outros sinais da nossa "imaginação" como a vigilância dos nossos actos, resultam afinal da natureza dos homens, da forma como se organizam e dos interesses que os movem de forma individual e colectiva. A roda do progresso das sociedades rola sem condutores, sem regras, travando aqui, virando acolá, ou de marcha atrás. Objectivamente numa rede de estradas que não é mais, nem menos que um labirinto. A teia dos poderes onde nos envolvemos tece-se com os fios da política, da finança, da religião, dos media e das redes sociais. O poder é um cárcere que chama a si. As questões que deveriam preocupar os poderes, ao ponto de os fazer dialogar, sejam os seus ideais de que natureza forem, são as da preservação do meio ambiente, da alimentação, da saúde, da instrução, da ciência e da paz: questões marginalizadas pela índole daqueles que, sobretudo, detêm a política e a finança. Pela rama se governa e se discutem políticas. Não há norte nem coerência, mas é da natureza dos homens. Num tempo de conhecimento científico sem igual, olhamos cenários de guerra, doença e fome que nos remetem para a barbárie, tão mais grave quanto os meios que são desprezados para serem evitadas. A Humanidade tornou-se escrava da sua prepotência e da sua ignorância, enquanto a opulência se faz, como noutros tempos, da miséria dos povos e da cegueira dos deuses."

LV