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Luís Vendeirinho

A Cinza das Mãos

A Cinza das Mãos

Havia um poema na margem das nuvens

E letras escritas de madrugada

Um fogo adentro da folha de Outono

Havia palavras sob a cinza das mãos

E teu rosto nos reflexos do mar

Um grito através da fronteira

Havia poesia a espumar na maresia

E perfumes duma epiderme macia

Um sonho de nome alvorada

Havia a ilusão de um profundo sono

E rugas cravadas nas memórias

Um fascínio na noite feita dia

Havia as minhas, as nossas histórias

E segredos guardados bem longe

Um lugar que, sem existir, existia

Havia berços, sinais do tempo, lágrimas

E mais do que foi dito, o silêncio

Um dizer oculto e as breves páginas.

LV